Um pequeno grande país: Eslováquia

Por De Olho Na Mídia | sexta-feira, nov 18, 2016 | 367 views

Por: Thiago de Menezes / thiagoturismo@deolhonamidia.com

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Visitar a Eslováquia é conferir de perto um país em transformação. Localizada no coração da Europa, bem no centro do mais velho continente do mundo, a República Eslovaca, um lugar de castelos, grutas e montanhas, forma um dos mais novos estados da Europa, mas a história de suas terras detém muitas riquezas. Vamos viver o turismo da Eslováquia, que está no leste europeu, encravada entre a Áustria e a Hungria.

Lugar apaixonante, a nação fazia parte da então Tchecoslováquia e se tornou independente após a sua dissolução em janeiro de 1993. No entanto, o território eslovaco se deu bem com essa divisão, pois acabou ficando com a maior parte dos castelos da região. É muita arte fundida com história, o que faz com que os integrantes de uma entidade chamada “Ordem Honorífica Cultural Brasil Eslováquia” (da FALASP – Federação das Academias de Letras e Artes do Estado de São Paulo), se unam para trocar informações e falar sobre o país. Afinal, são quase todos artistas e membros da tradicional “Academia Brasileira de Belas Artes – ABBA”, fundada no Rio de Janeiro em 1948.

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E sendo um país no centro da Europa, é predestinado pela sua posição geográfica a se transformar num cruzamento de várias culturas e rotas comerciais. No vale do Danúbio, os Eslavos antigos encontraram outros povos cujos elementos culturais conseguiram assimilar depressa.

Assim do núcleo da cultura paleoslava, surgiu e evoluiu a arte popular eslovaca impressionante pela sua variedade e estruturação, abrangendo cantigas populares, danças, música popular instrumental, expressão oral, materializada nas lendas, provérbios, contos populares e noutros artefatos materiais, feitos de madeira, tecido, couro, pedra, barro, vidro e cornos de animais. Os valores assim produzidos que se conservaram até hoje servem de testemunha dos vários períodos históricos pelos quais passou o nosso povo e ao mesmo tempo são a expressão das atitudes morais e estéticas do povo, cuja herança merece a admiração pela sua autêntica e única beleza.

O pequeno tamanho do país é, sem dúvida, um de seus principais atrativos e, apesar do passado comunista — que deixou marcas profundas —, a Eslováquia sempre foi meio internacional, servindo de “lar” para os antigos romanos, húngaros, austríacos, alemães, turcos, tchecos, judeus e ciganos no decorrer de sua longa história, pois assim como a Romênia, a Eslováquia possui um grande contingente de descendentes de ciganos. O eslovaco é um povo de etnia eslava, como os russos, ucranianos, poloneses e tchecos.

A língua eslovaca pertence ao grupo das línguas eslavas, do ramo do ramo linguístico indo-europeu. Lá se fala o Eslovaco húngaro e o tcheco. Porém, muitas pessoas ligadas à indústria turística falam o inglês e o alemão.

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A Eslováquia fez durante muito tempo parte do imenso Império Austro-Húngaro, assim como a República Tcheca, a Eslovênia, a Bósnia-Herzegovina, a Áustria e a Hungria. O Império de dissolveu na época da Primeira Guerra Mundial. Eslováquia e República Tcheca formaram um só país, a Tchecoslováquia.

A ruptura ocorreu após o fim da União Soviética e adoção da economia de mercado pelos países comunistas do leste europeu no início dos anos 90. Aliás, das cidades que faziam parte da antiga Cortina de Ferro, Bratislava, – a capital da Eslováquia – é a que talvez ainda guarde os maiores resquícios dos anos de comunismo, com seus grandes blocos de apartamento retangulares de gosto um pouco duvidoso.

Caro turista, se você gosta da sensação de viajar no tempo, faças as malas e percorra o interior do país! Nele você encontrará diversos vilarejos medievais nos quais alguns dialetos e costumes tradicionais sobreviveram à passagem dos séculos, como é o caso de Bardejov, onde as principais atrações são a Basílica de São Egídio, construída entre 1460 e 1510, e o Museu Šariš, que se encontra entre os edifícios medievais alinhados ao longo da praça central da cidade.

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São muitos os lugares que não deverá deixar de visitar neste país, dos quais destaco alguns como a Catedral de São Martín, onde foram coroados, há mais de três séculos os reis do reino húngaro, assim como não deverá deixar de visitar a Catedral de Santa Isabel, a catedral gótica que se localiza mais a oriente da Europa. Ambos se situam em Bratislava.

Outro exemplo é Košice — com sua Catedral de St. Elizabeth, construída no século 14 —, e a cidade medieval de Banksá Štiavnica que, no século 16, se tornou renomada na Europa por sua belíssima arquitetura. Joias dessa época que ainda podem ser visitadas são Kalvária, que consiste em um complexo de 23 edifícios religiosos em estilo barroco, e os Castelos Velho e Novo, construídos com cinco anos de intervalo um do outro e que hoje abrigam exibições históricas. Em Spis, o turista poderá apreciar o mais alto altar gótico do mundo que com 18,62 metros na igreja de St. James.

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Localizadas na fronteira com a Hungria, as cavernas da Eslováquia atraem milhares de turistas todos os anos (acreditem, são mais de 700 cavernas). A formação geológica única tornou algumas dessas estruturas Patrimônios Mundiais da Humanidade reconhecidos pela UNESCO. Além disso, o país abriga inúmeras reservas naturais e florestas bem preservadas, assim como paisagens e montanhas de tirar o fôlego. Outras atrações da Eslováquia são as suas igrejas de madeira, construídas segundo a arquitetura tradicional deste país, algumas das quais foram declaradas como património cultural da humanidade pela UNESCO no ano de 2008.

Se ainda tiver tempo, visite o único vestígio da famosa Cortina de Ferro, perto de Bratislava e os bunkers na fronteira da Checoslováquia que foram construídos para afastar a ameaça nazi. E não se esqueça de passear pelas várias aldeias típicas que se encontram situadas nas diversas regiões da Eslováquia. Basta citar algumas: Košice, Myjava, Vlkolinec, Cicmany … lembrando que o país é o local ideal para visitar se o turista ainda for um amante dos desportos de inverno como o esqui. Os Altos Tatras, também conhecidos como “os Alpes em miniatura”, representam a ‘joia’ dos Cárpatos Ocidentais.

Enquanto a República Tcheca é conhecida por suas cervejas (lembrando que os eslovacos também são grandes produtores), a Eslováquia é pelo seu vinho. São mais de 40 tipos de uvas cultivadas no país, que dão origem a diversos tipos de vinhos. Os mais famosos são os da região de Tokaj. Além das cervejas, os turistas não podem deixar de provar suas comidas típicas, sendo as principais o bryndzové halušky, que é um nhoque de batata com queijo típico de ovelha “BRYNDZA”, creme de leite e toucinho defumado e torrado em cima; mais a kapustnica, que consiste numa sopa grossa de repolho azedo, carne defumada, linguiça, cogumelos silvestres, ameixa preta seca e creme de leite.

Por todas essas maravilhas culturais e muitos mais, tentem fazer uma viagem a Eslováquia, essa nação do tamanho do estado do Rio de Janeiro. Afinal, viajar para lá é muito fácil e tem várias opções, avião, carro, ônibus e trem, estando em qualquer parte da Europa. Realmente, vale a pena!

Eslováquia e o Brasil

Historicamente as relações diplomáticas entre Brasil e Eslováquia foram estabelecidas em 1918, quando o país reconhece a independência da Tchecoslováquia. Porém as relações diplomáticas entre Brasil e Eslováquia tiveram início mesmo em 1993, quando da dissolução da Tchecoslováquia. A Embaixada do Brasil em Bratislava foi inaugurada em 2008 – até então, o relacionamento bilateral era cumulativamente acompanhado pela Embaixada do Brasil em Viena (Áustria). A Eslováquia faz parte do Grupo de Visegrad desde 1991, da União Europeia desde 2004, da OTAN desde 2004, do Espaço Schengen desde 2007 e da Zona do Euro desde 2009.

Em nosso país, a Eslováquia é muito bem representada pela presença e atuação em São Paulo do Cônsul Dr. Peter Paulicek, empresário, tradutor juramentado e interprete comercial, personalidade com grande dinâmica humanitária e possuidor de um impressionante curriculum e experiências vivenciais. Enquanto que no Rio de Janeiro, o Consulado é comandado por Faiçal Hammoud, fundador da conhecida importadora Monalisa, que também é Honorary Consul of France in Ciudad del Este, no Paraguay. O 198º da lista dos 500 árabes e descendentes mais influentes da revista Arabian Business é justamente o Cônsul e empresário Faiçal, que se divide entre o Brasil e o Paraguai, sendo um dos incentivadores do Mercosul. Há, ainda, na América do Sul, a atuação do Cónsul Honorario da Republica de Eslovaquia no Paraguay, Charif Hammoud, empresário diplomado em Jornalismo e formado em Diplomacia pelo Instituto Delcarnnier em Assunção, Paraguai. Há a Embaixada em Brasília além dos Consulados Honorários do Rio de Janeiro e de São Paulo, mais os de Joinville, com a atuação do Cônsul Honorário Ernesto Heinzelmann e do Recife onde se destaca a presença do Cônsul João Alixandre Neto.

O Cônsul Geral da Eslováquia em São Paulo e Cônsul em Minas Gerais, Peter Paulicek acompanhado de sua filha, Zuzana Paulickova, já visitou muitas cidades brasileiras, sedes de grandes empresas, faculdades, sempre com o objetivo desses encontros consulares de dar continuidade às ações do convênio proposto entre universidades e empresas brasileiras e eslovacas. Por exemplo, na saúde, o Cônsul já pediu a intermediação de deputados junto ao Governo do Mato Grosso para a implantação de uma parceria utilizando a grande quantidade de jazidas de iodo do país que se colocadas com água, ajudam a evitar diabetes e tireoides dos estudantes do ensino público daquele estado.

Informo, também, que o ex-presidente da Eslováquia, Rudolf Schuster, que já visitou o Brasil várias vezes e se encantou com as belezas naturais e cultura local de lugares como o Mato Grosso, esteve em Vila Bela da Santíssima Trindade, Poconé e Chapada dos Guimarães. Muito interessante frisar que o pai do ex-presidente, Alojz Schuster, ficou dois anos em Mato Grosso onde promoveu documentário sobre o pantanal mato-grossense e sobre a região Amazônica.

Sobre a colônia Eslovaca no Brasil digo que eslovacos, há cada vez menos. Estima-se que três mil pessoas vivam por aqui, a desaparecer lentamente. Nos últimos anos, foram realizados alguns casamentos entre brasileiros e eslovacos. Cerca de 500 km de São Paulo está localizado em Cambo, que tem um quarto de Bratislava. Foi fundada por romenos eslovacos e muitos ainda usam a arcaica língua eslovaca para ajudá-los no Festival de Folclore Eslovaco na preparação das refeições. Eles fazem mais nhoque, mas não com queijo de ovelha, mas a pasta de tomate.


 

R7 TORPEDO - DE OLHO NA MÍDIA
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