Primeiro dia de aula. Turma nova. Alunos de ensino médio. Filosofia. O professor pergunta: “O que vocês esperam desta disciplina?” Um aluno espertinho responde: “Ah, que pelo menos seja interessante!” Todos riem. O professor continua: “Digam-me, qual tipo de professor vocês acham interessante?” O mesmo aluno responde: “Tipo aquele famoso, o Cortella, professor!” Ninguém ri.

Uma aluna do fundo se opõe: “Ah, eu não gosto desse, acho Cortella meio autoajuda”. Então o professor refaz a pergunta: “Algum outro exemplo melhor de professor que vocês acham interessante?” Um instante de silêncio. Então mais uma aluna diz: “Tem também aquele Clóvis, da USP, ele é fera”. Alguns balançam a cabeça, concordando. Mas um aluno da frente discorda: “Eu hein! Esse Clóvis mais parece um pastor pentecostal, isso sim!” Todos riem. O professor também ri. E insiste uma última vez na questão: “Algum último exemplo de professor que seja bom de verdade?” A sala fica em silêncio.

Hesitante. Alguém resolve chutar: “Que tal aquele Leandro Karnal, do Youtube?!” O pessoal vira para o professor. E o professor devolve para a turma: “São vocês que têm que dizer, não eu…” Um burburinho começa na sala. Alguns alunos dizendo que Karnal é excelente, apesar de muito repetitivo. Outros falando que o duro é que ele é de esquerda, mas é fera. No fim, o aluno espertinho levanta a voz e tenta acabar com a discussão: “Pessoal, é impossível um só professor agradar todo mundo do mesmo jeito né!” A sala concordou. E enfim o professor conseguiu começar a sua aula, do seu jeito. Naquele dia os alunos, todos, chegaram à conclusão de que o seu professor, ali da sala, é que era bom.

Wellington Anselmo Martins, graduado em Filosofia (USC), mestre em Comunicação (Unesp).


 

R7 TORPEDO - DE OLHO NA MÍDIA
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