© Fornecida por  Renan Antônio

O Brasil é indubitavelmente único. É improvável que alguma nação no mundo faça um uso tão decrépito da política como é feito no Brasil. Não é a política o nosso problema, nunca foi. Essa pretensa aversão incutida nas massas contra a política e políticos, sendo que alguns chegarão a se eleger sob a égide de que ‘não são políticos, mas gestores’, é, como Marx dizia no século XIX, a síntese de toda dialética hegeliana, num transtorno social gravíssimo que acomete o Brasil.

Com essa síntese inacabada, vemos que o Brasil, por meio de suas classes  políticas dominantes, desde muito tempo, usam todos os meios possíveis para manobrar a superestrutura, remodelando a infraestrutura e estrutura, ao invés de ocorrer o processo comum. A História é uma excelente tutora para compreendermos o presente. A historiografia é a mãe que necessitamos para compreender por quê algumas coisas são, outras não foram e, pior, porque alguma são e foram ao mesmo tempo.

O Brasil é forjado em todos os sentidos, como Gilberto Freyre disse, na Casa Grande e a Senzala. Logo, quando vemos o desenvolvimento da política brasileira, entre mitos e verdades, humanos e divinos, sempre na busca do herói salvador, na concepção sebastianista de que alguém nos resgatará dessa falta de pudor, perdemos os rumos do que realmente era importante e necessário à nação.

Roma compreendeu o contexto e deu direções claras para Inquisição brasileira sobre o que perscrutar: crimes contra a fé e heresias, fiscalizar os estudantes e cuidar dos miseráveis. Não deveriam se envolver em questões de moral, algo que muitos entenderam como uma permissão para violação de votos perpétuos e, então, constituíram famílias.

Outra diretriz clara: não se envolverem nas questões do padroado porque essa era uma concessão do pontífice e assim deveria ser observada a soberania temporal-espiritual da Igreja, sem conflitar com os interesses do que lhes daria o pão, o Estado brasileiro.

Isso é a realidade sobre o povo brasileiro, do nosso ponto de vista, o único que tem capacidade de ser o sucesso em tudo. São como as baratas: desprezados por muitos, desprezíveis por outros, mas os únicos capazes de resistir aos maiores tsunamis mundiais, especialmente os culturais e sociais. Como cantava o poeta e esse é o caso do povo brasileiro: o pavão misterioso, pássaro formoso. O pavão é lindo, mas seus pés são horrendos, deploráveis e chocantes. É penalizador que tão belo pássaro seja equipado com acessórios tão importantes, mas horríveis.

Renan Antônio da Silva: Chefe de Gabinete da Reitoria do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL). Membro do Comitê de Ética em Pesquisa, da Comissão Institucional de Internacionalização e Comissão Institucional de Pesquisa (UNISAL). É doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP – Araraquara. Realizou estágio doutoral com bolsa CAPES/PDSE junto ao Centro em Investigação Social (CIS/ISCTE-IUL), em Lisboa/Portugal, na linha temática Gênero, Sexualidades e interseccionalidade (2015-2016). E-mail: lepp@rc.unesp.br


 

R7 TORPEDO - DE OLHO NA MÍDIA
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